Shamsia Hassani – Mulher, Graffiter, professora… no Afeganistão! | Artistas contemporâneos.

“Quero colorir sobre as más memorias da guerra”

Shamsia Hassani é uma graffiter afegã.

Nasceu no Irão em Abril de 1988, numa família, como diz ela, de mente aberta. Infelizmente, como era afegã não lhe foi permitido seguir Artes, escolhendo antes o caminho da contabilidade. Apenas após o retorno da família ao Afeganistão começa a estudar na faculdade de belas artes da universidade de Kabul em 2006, onde agora é professora.

“Sou a professora mais nova da universidade e a maioria dos estudantes são da mesma idade que eu.” (numa entrevista em 2013)

Em 2009 foi co-fundadora do grupo agora chamado Berang Art, cujo objectivo é promover arte contemporânea no Afeganistão, lá um conceito novo.

Trabalhou com Graffiti pela primeira vez num workshop em 2010, com o graffiter britânico CHU. Decidiu continuar, pois assim levar as suas criações às pessoas. Para ela, a arte ajuda a sociedade, pois é uma maneira amiga de falar dos seus problemas.

Como vive num país muito difícil para se ser mulher, decidiu pintar temas relacionados com elas.

“Normalmente as minhas peças são muito simbólicas.”

Simbologia das suas personagens:

Quando as pessoas pensavam que ela pinta as mulheres de burka como um protesto, refuta. “Liberdade não é tirar a burka, é ter paz. Se a tirarem, [as mulheres] continuam a ter os mesmos problemas, como não ter acesso à educação, igualdade ou poder tomar decisões”. Ela usava-as antes nas suas obras como um símbolo feminino, mas com um estilo mais moderno, com formas anguladas e gestos ambiciosos. Não tem boca para falar, mas os instrumentos que esta personagem carrega simbolizam a sua voz.

“Este instrumento pode ser uma guitarra, as vezes um piano, e por vezes altero as formas para algo mais simbólico. Ela sente-se poderosa com o seu instrumento – é a voz dela. (…) Ela não toca musica com ele, mas antes a sua voz.”

Os seus olhos estão fechados porque não quer ver o que há em roda dela – é tudo triste. Já os peixes são um símbolo da atmosfera em volta.

“Os seus olhos estão fechados porque não há nada bom para se ver na sociedade. (…) Ela não quer ver.” (x)

“Eu quero introduzir uma mulher nova à sociedade”

“Eu tento mostra-las maiores que a realidade, de formas modernas e felizes, com movimento, e até talvez fortes. Tento que as pessoas as vejam de maneira diferente.” (x)

Um dos seus objectivos de vida é mudar a ideia que se tem do Afeganistão. Quer torná-lo famoso pela arte, e não pela guerra. Para isso, para alem das suas redes sociais, já viajou e expôs em vários países para divulgar a sua mensagem, como o Vietnam ou os Estados Unidos.

“Eu quero trazer mudanças. Mesmo que mude 1% dos pensamentos das pessoas já é algo.”

Numa entrevista recente, menciona que é permitido grafitar em alguns muros, comum para a publicidade, mas as pessoas ficam muito mais curiosas e / ou incomodadas quando é uma mulher a pintar. Quando pede permissão aos donos, por vezes pensam que ela deve antes pintar o seu retrato, ou uma paisagem.

Antes de começar a trabalhar num lugar, presta atenção às reacções em volta e decide se pode continuar. Outro problema são as explosões – ás vezes tem medo de levar o marido, que ás vezes a grava, por ser perigoso. Por estas razões, tenta completar os trabalhos o mais rápido possível, normalmente meia hora, usando técnicas como o stencil e o uso de pincéis com tinta acrílica para outros detalhes.

“Cabul é diferente em relação à Europa, onde tem de se ter cuidado com a policia. Aqui não tenho problemas com a policia. Tenho problemas com pessoas de mente fechada e com a falta de segurança.”

Pelo difícil acesso ou falta de tempo, têm uma serie onde pinta sobre fotografias. Chama-lhe “Dreaming Graffiti”.

Outra das suas series, “Birds of no Nation” (“Pássaros sem nação”), é sobre as pessoas do Afeganistão não se sentirem afegãs. Diz que normalmente vêm lugares como a Europa como terras de sonho, mas ao lá chegar descobrem que não é bem assim. Fica triste por os outros saírem do país, pois sente que são essas pessoas que podiam ajudar a mudar o Afeganistão… e por isso, apesar de tudo, ela decidiu ficar.

Quando a contactei perguntei-lhe que mensagem é que nos daria:

“Por favor valorizem a paz e liberdade que vocês têm e respeitem-nas”

Se quiserem seguir o trabalho dela, podem encontra-la no Instagram, Facebook, e por vezes, Youtube.

Entrevistas à artista:
http://www.streetartbio.com/shamsia-hassani-interview
http://www.riotmemag.com/shamsia-hassani-la-primera-grafitera-afgana-las-mujeres-en-afganistan-son-miradas-en-menos-no-solo-por-ser-artistas-sino-por-el-simple-hecho-de-ser-mujeres/
http://artradarjournal.com/2013/07/19/art-is-stronger-than-war-afghanistans-first-female-street-artist-speaks-out/

Digital Interview with Shamsia Hassani, “Dreaming Graffiti” in Kabul Afghanistan

Num radio estaduniense (Video no Youtube)

Outros sites:
Shamsia Hassani em Kabul Art Project: (Para os curiosos, há mais sobre outros artistas)
http://www.kabulartproject.com/artists/shamsia-hassani/
O seu site pessoal:
http://www.shamsiahassani.com/
Página de facebook dela:
https://www.facebook.com/Shamsia-Hassani-252100761577381/
No museu Hammer:
https://hammer.ucla.edu/artist-residencies/2016/shamsia-hassani

Nunca pesquisei tanto sobre uma artista contemporânea. De inicio era apenas para fazer uma apresentação sobre ela para a disciplina de Português, mas depois decidi fazer um video também.

Uma outra artista de uma zona mais perigosa é Malina Suliman, ameaçada pelos taliban. Não encontrei muita informação sobre ela, por isso deixo o nome caso queiram pesquisar.

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